Segundo Mandamento da Lei de Deus

 

1. DEVERES QUE ESTE MANDAMENTO IMPÕE

 

O segundo mandamento da Lei de Deus cumpre-se honrando o Nome de Deus (e tudo o que a Ele se refira) e mediante o juramento e o voto. Em seguida, estudaremos o cumprimento de cada um destes deveres

 

1.1. HONRAR O NOME DE DEUS E TUDO A DEUS SE REFIRA

 

Deus é Santo, e o seu Nome é santo porque o nome representa a pessoa: há uma relação íntima entre a pessoa e o nome que tem, como há entre o país, o seu governo e o embaixador que o representa. Quando se honra ou se despreza o embaixador, honra-se ou despreza-se o país por ele representado. Do mesmo modo, quando falamos de Deus, não devemos pensar simplesmente numas letras, mas sim no próprio Deus, Uno e Trino. Por isso havemos de santificar o seu Nome e pronunciá-lo com grande respeito e reverência.

S. Paulo, p. ex., afirma que, ao pronunciar o Nome de Jesus, se há de dobrar todo o joelho na Terra, no Céu e nos Infernos (cf. Fl 2, 10); os maiores milagres foram feitos em nome de Jesus: «Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!» (At. 3, 1-7); os Anjos e os Santos, no Céu, louvam continuamente o Nome de Deus proclamando: «Santo, Santo, Santo!»; nós próprios, no Pai nosso, pedimos: “santificado seja o vosso Nome!”, e devemos esforçar-nos para que  o nome de Deus seja glorificado em toda a terra.

Com as devidas adaptações, deve ser também honrado o nome da Santíssima Virgem Maria, de São José, dos Anjos e dos Santos.

 

1.2. RESPEITAR TUDO QUE É CONSAGRADO A DEUS

 

            Devemos respeitar o que está consagrado a Deus, ou seja, as coisas, pessoas ou lugares que Lhe foram dedicados por designação pública da Igreja:

 

a)      são lugares sagrados as igrejas e os cemitérios: neles se há de observar um comportamento respeitoso e digno;

b)     são coisas sagradas o altar, o cálice, a patena, o cibório e outros objetos dedicados ao culto;

c)     são pessoas sagradas os ministros de Deus – padres, religiosos – os quais merecem respeito pelo que representam, e dos quais nunca se deve falar mal.

 

 

1.3. O JURAMENTO

 

Juramento é outra maneira de honrar o Nome de Deus, uma vez que é invocar a Deus como testemunha da verdade que se afirma, ou da sinceridade do que se promete.

Por vezes, é preciso que quem faz uma declaração acerca do que viu ou ouviu a reforce com um testemunho especial. Em ocasiões muito importantes, sobretudo em um tribunal, pode-se invocar Deus como testemunha da verdade do que se afirma ou promete: é isso fazer juramento.

Fora destes casos, nunca se deve jurar, e deve-se procurar que a convivência humana se baseie na veracidade e honradez. Disse Cristo: «Seja, pois, o vosso falar: sim, sim, não, não. O que vai além disso, procede do maligno». (Mt. 5, 37).

Há diversos modos de jurar:

 

a)      invocando Deus expressamente; p. ex.: juro por Deus, pelo Sangue de Cristo, etc.

b)     invocando o nome de N. Senhora ou de algum santo;

c)     nomeando alguma criatura em que resplandeçam diversas perfeições divinas: por ex. jurar pelo Céu, pela Igreja, pela Cruz;

d)     jurando sem palavras, pondo a mão sobre os Evangelhos, sobre o Crucifixo, sobre o altar, etc.

 

O juramento bem feito não só é lícito, mas até dá glória  a Deus, porque ao fazê-lo declaramos implicitamente que Ele é infinitamente sábio, onipotente e justo. Para ser bem feito, exige-se:

a)     jurar com verdade: afirmar só o que é verdade e prometer só o que se tenciona cumprir;

b)     jurar com justiça: afirmar ou prometer só o que é lícito e não o que é pecaminoso;

c)     jurar com necessidade: só quando é realmente importante que acreditem no que dizemos, ou quando o juramento for exigido pela autoridade eclesiástica ou civil.

 

1.4. O VOTO

 

Outra maneira de honrar o Nome de Deus é o voto: promessa feita a Deus de uma coisa, boa, que não impede outra melhor, e com a intenção de nos obrigarmos. Para se tratar realmente de um voto, exige-se:

- por parte de quem o faz, que a promessa feita a Deus seja:

a) formal: o compromisso de a cumprir é expressamente feito, considerando que fazemos um voto ante Deus, e não um mero propósito;

b) deliberada: não fruto de impulso repentino;

c) livre de coação física ou moral;

- por parte da coisa prometida, que seja razoável e possível, boa e melhor que seu contrário.

 

Seria, em si mesmo, inválido fazer voto de algo mau (p, ex., de não perdoar uma injúria), ou fazer voto de algo que seja pior que a atitude oposta (p. ex., fazer voto de ir em peregrinação, quando o fato de não ir resolve uma grave necessidade alheia).

Pode fazer votos quem tiver uso da razão e suficiente conhecimento da coisa prometida e, uma vez feito licitamente, há obrigação grave de o cumprir: “se fizeste algum voto a Deus, não tardes em o cumprir, porque a Deus desagrada a promessa vã e infiel. É muito melhor não fazer voto do que, de o fazer, não o cumprir (Ecl 5, 3-4).

            De modo geral, é melhor adquirir o hábito de fazer propósitos que ajudem a melhorar, sem necessidade de votos nem de promessas, a não ser que Deus o peça. Se alguma vez for necessário fazer algum voto, é prudente perguntar ao confessor antes  de o fazer, a fim de nos assegurarmos que ele seja conveniente.

 

2. PECADOS OPOSTOS

 

São pecados contra este mandamento:

 

2.1. PRONUNCIAR COM LEVIANDADADE E SEM NECESSIDADE O NOME DE DEUS

 

Isto é, sem o devido respeito, por gracejo ou por brincadeiras. Por ex. gracejar ou contar a respeito de coisas sagradas.

Este uso do santo Nome de Deus é pecado (Ecl. 23, 9-11), geralmente venial (por não atingir gravemente a honra divina).

Convém ter o cuidado de não misturar com freqüência, nas conversas, os nomes de Deus, de Nossa Senhora ou dos santos, a fim de evitar irreverências.

 

2.2. BLASFEMAR

 

Que consiste em dizer palavras ou fazer gestos injuriosos contra Deus, a Virgem, os santos ou a Igreja. A blasfêmia pode ser:

1)     direta: quando é feita contra Deus;

2)     indireta: quando é feita contra a Virgem Santíssima, os santos  ou as coisas santas;

3)     herética: quando contém algum erro contrário à Fé, por ex. dizer advertidamente: “Deus é injusto comigo!”;

4)     execratória: quando é acompanhada de ódio a Deus.

 

Sempre que haja plena advertência e vontade deliberada, a blasfêmia é pecado grave, que não admite matéria leve. Significa uma subversão total da ordem moral, ordem que tem por cume a honra a Deus e a blasfêmia pretende, com presunção, desonrar a divindade.

 

 

2.3. JURAMENTO FALSO, INJUSTO OU DESNECESSÁRIO

 

Nalguns casos é pecado jurar, porque falta alguma das condições para sua licitude:

1)     a verdade: há sempre grave irreverência em dar Deus como testemunha de uma mentira. Nisto consiste precisamente o perjúrio, pecado gravíssimo que atrai o castigo de Deus (cf. Zc. 5, 3-8, 17; Eclo 23,11);

2)     a justiça: é grave ofensa utilizar o Nome de Deus jurando algo que não é lícito; p, ex., a vingança ou o roubo. Se o juramento tem por objeto algo de gravemente mau, o pecado é mortal;

3)     a necessidade: não se pode jurar sem prudência, sem moderação, ou por coisas de pouca importância, sem cometer pecado venial (seria mortal se houvesse escândalo ou perigo de perjúrio).

 

Jurar por hábito, a propósito de qualquer tolice, é um vício que se deve procurar afastar, embora, geralmente, não passe de pecado venial

 

2.4. A FALTA DE CUMPRIMENTO DO VOTO

 

É pecado grave ou leve, consoante os casos, pois é faltar uma promessa feita a Deus.

 

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