Moisés
Elias
Jesus

O Evangelho segundo Lucas

1. A figura de Lc no NT

É o Evangelho do novo Elias, preserva muito o Espírito Santo. Aproxima-se muito de São João pelas notas teológicas e piedosas.

Lucas não foi apóstolo (1,2). É discípulo dos que foram testemunhas oculares. É gentio de Antioquia na Síria (Cl 4, 10-14). É médico e deve ter ajudado São Paulo. Quando se converteu ao certo não sabemos, mas em At 11,28 com a respectiva nota da Bíblia de Jerusalém que fala que "estávamos" reunidos. Então Lucas estaria e Antioquia em 43 ou 44 da era cristã, já convertido.

Pouco depois de 50 se uniu a São Paulo e viajou com ele na 2ª viagem (At 16,10) e vai para a Macedônia, fica em Filipos e quando Paulo volta na 3ª viagem à Filipos Lucas se associa de novo (At 20,5). Em 58 dC Lucas está com Paulo em Jerusalém, em 60 dC embarcou para Roma com Paulo, que seria julgado por César At 27-28 (está na 1ª pessoa do plural). Lucas assiste Paulo no fim da vida no 2º cativeiro (2Tm 4,11). Após a morte de Paulo não se sabe mais de Lucas; diz-se que morreu.

Em 2Cor 8,18 muitos associam a Lc (vide a nota); corre também a notícia de que ele foi pintor, mas isso não foi verídico.

2. Lc, autor do 3º Evangelho

Testemunhos extrínsecos da Tradição e os intrínsecos

I) Testemunhos extrínsecos

Um data do fim do século II dC. e é bem claro dizendo que outros Evangelhos já foram escritos, que Lc não casou, etc.

II) Testemunhos intrínsecos - critérios internos

O próprio texto do Evangelho:

A - helenista - letrado, culto, está acostumado a escrever. Veja que ele faz um prólogo (Eclo, 2Mac; Ev. Lc; At são os únicos livros que têm prólogo).

Lc segue Mc e sabe corrigir quando este tem erro na linguagem (vide Mc 4,25 com Lc 8,18). Os vocábulos hebraicos e araimacos de Mc ele troca por vocábulos gregos: Mc 9,5 = "rabbí" à Lc 9,33 = "epistátes"; este termo traduz "rabi" do aramaico, mas veja que está "rabbi" em grego porque o texto hebraico se perdeu.

Outros exemplos dessa troca em que ele melhora o texto de Mc segundo o critério de ordem literária: Mc 10,51 - Lc 18,41; Mc 14,36 - Lc 22,42. Ele é mais rico em palavras próprias = 261.

B - Lc tem olho clínico
Lc 22,44: só Lc tem o suor de sangue de Jesus, outra passagem significativa: Mc 5,25-29 # Lc 8,43 referente aos médicos: não censura aos médicos. Defende sua classe, isso é significativo, vale como indício.

Outro: a ressurreição da filha de Jairo Mc 5,41-43 e Lc 8,54-56. Mc narra a seqüência do que aconteceu. Lc faz uma transposição: o comer segue-se ao levantar-se essa é ordem lógica.
Lc é o único que fala da restituição da orelha de Malco Mt 26,51-52; Mc 14,47-48; Jo 18,10-11; Lc 22,50.

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Apêndice: O final do Evangelho de Mc: Mc 16,9-20

Critérios literários para distinguir autoria do texto: é canônico, mas se discute qual a mão que o escreveu.
16,9 não tem sujeito; Madalena é apresentada como desconhecida dando uma característica, quando ele já for a mencionada em 16,1 e 15,40-47.

Em Mc 16,19-20 aparece a expressão "ho Kyrios" que é a expressão paulina, não é dos Evangelhos.
16,7: as mulheres recebem a ordem de anunciar aos discípulos a ressurreição do Senhor e no entanto não o fazem, e quando é anunciado não fala das palavras do anjo: Mc 16,10-14.

Em alguns manuscritos em grego há desfechos mais breves.

Que dizer: a conclusão canônica se encontra em vários padres do século II; ela não é de Mc. Mas também não é de crer que Mc tenha tornado no v.8 "tinha medo". Alguém acrescentou sem ser Mc, talvez Aristião, que a tradição aponta. Se Mc não terminou o Evangelho em v. 8, então onde está a conclusão de Mc? Talvez se tenha perdido a folha ou…

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Lc 13,11-13; 10,34 o vinho e o óleo para curar as chagas, Jesus aparece como médico.

III)O autor de Lucas é discípulo e companheiro de Paulo

Há 103 vocábulos comuns a Lc e Paulo e não ocorrentes nos outros escritos no NT. Especialmente marcante é a instituição da Eucaristia. Lc e 1Cor têm afinidades entre si. Lc 22, 19-20 - 1Cor 11,23-25. Lc é mais independente de Paulo que Marcos de Pedro. Lc é mais criativo, mais culto.

3. Origem do terceiro Evangelho

Lc assume o texto de Mc, mas Lc é mais original sabe assumir sem repetir. Lc é posterior a Mc.

Lc 21,20-24

Jerusalém…

Espadas, Cativos…
Lc 19,43-44.

Cf Mt 24,15; Mc 13,14

Exércitos Abominação da desolação

 

O Evangelho de Lc é destinado ao excelentíssimo Teófilo (é um magistrado, que tem o título de excelentíssimo). Lc quer consolidar a fé que ele já abraçou - Teófilo- através de Teófilo que Lc tem em mira todo o mundo pagão. A dedicatória é traço de livro nobre. Fazia-se isso porque o destinatário deveria divulgar o livro.

O fato de Lc escrever para étnico - cristãos: Lucas é simpático aos não- judeus.

Há por exemplo um elogio ao centurião romano Lc 7,2-10; Lc 10,30-37; Lc 17,11-19. Lc é ousado ao fazer isso. Ele Lc não é judeu, é sírio, da Antioquia.

O Evangelho de Lc é anterior aos Atos dos Apóstolos At 1,1. Os At datam de cerca de 63: isso podemos ver pelo fim do livro At 28,30: os dois anos que Paulo fica são 61 - 63. Lc nada diz sobre a seqüência dos fatos, logo é de 63, pois era para falar da liberdade de Paulo após os 2 anos de prisão. Como o evangelho é anterior teria que recuar na sua data.

Hoje se responde que a intenção dos At é mostrar a passagem do evangelho da Palestina para Roma; tendo chegado a esse intento Lc não fala mais nada. Assim pode-se datar o Evangelho de 70 e os At após a data.

4. Processos redacionais de Lc

O autor do 3º Evangelho diz que pesquisou, não é apenas um repetidor da Tradição, mas traz coisas novas, daí o esmero na redação. Ele não podia fugir do esquema convencional dos sinóticos, ida e vinda à Jerusalém, mas acontece que tendo encontrado muita coisa da tradição não quis por tudo na Galiléia, mas também não podia romper o esquema, então ele alonga a viagem vai de 9,51 - 19,4 Galiléia ==> Samaria ==> Judéia (Jerusalém). É uma única ida. Lc não se cansa em dizer que Jesus estava indo para Jerusalém 13,22; 17,11; 18,31; 19,11; 19,28. Além desse artifício do prolongamento da viagem, vemos que Jerusalém é um ponto de convergência para o Evangelho (vide Lc 1,5-23; 24,52s; 24,49).

Mt e Lc narram a tentação de Jesus

Mt 4, 1-11
Pedras em pães
Pináculo do templo
Monte alto

Lc
Pedras em pães
Monte alto
Pináculo do templo

Parece que a ordem melhor é a de Mt porque Lc terá invertido porque tem a intenção de Jerusalém
Por que essa convergência para Jerusalém? A resposta está em Lc 13,32-33. Jesus é profeta, é o novo Elias. Por isso deverá morrer em Jerusalém. A intenção de levar Jesus para Jerusalém é devido à convergir a sua vida para lá. Quer configurar Jesus como Elias:

1) A convergencia para Jerusalém
2) As grandes antíteses

Essas são próprias de Lc, as antíteses dão luz ao texto e permitem compreender melhor o que o autor quer dizer: Lc 1-2:

Zacarias Lc 1,11
João Batista
Maria Lc 1,26-38
Jesus

O gênero literário: do anúncio bíblico; tem a seguinte seqüência:

1º A apresentação das figuras Lc 1,11; 26.
2º A aparição do anjo (implícita ou explícita).
3º Perturbação da criatura diante da aparição e da mensagem do anjo.
4º Palavra de reconforto: "Não temais".
5º A mensagem divina (é comunicada a Boa-Nova).
6º Objeção da criatura.
7º Resposta com explicação.
8º Oferecimento de sinal.
9º Desaparecimento do anjo.

É um gênero literário próprio. Temos tal seqüência de modo geral em todo anúncio. É um certo clichê: Lc 7,36-50 contraste entre o justo que se fecha em si mesmo e a pecadora que se abre à graça. É uma figura antitética. Lc mantém a mulher desse texto no anonimato. Em Jo 12,1-6 é uma outra unção dos pés de Jesus. Não é a mesma mulher nos dois textos. A de João é Maria, irmã de Marta; em Lc é Maria anônima e Maria de Lc 8,1-3 é a Madalena, são três mulheres. Há quem diga ser a mesma em Lc 8,1-3 (Maria Madalena) e Lc 7,36-50 (Maria). Maria Madalena não é pecadora, o texto não diz isto. Dizer isto é errado.

Fala-se em apropriação porque o texto de Lc 7 diz que era possessa, tal como em Lc 8.

Uma 3ª antítese: Lc 10,38-42: As duas irmãs de Lázaro. Marta quer que Jesus mande Maria trabalhar e Jesus dá razão a Maria.

Lc 17,11-18: Os 10 leprosos. Os samaritanos dão mais valor a Deus que os judeus.
18,9-14: O publicano e o fariseu. O fariseu, que parecia santo, não sai justificado, ao passo que o publicano sai.
23,39-43: O bom e o mau ladrão.

É estilo próprio do autor; mostra sua expressão e sua mentalidade.

3) As figuras da mulher no Evangelho de Lc.

As várias facetas da figura feminina aparecem no Evangelho de Lc.
· Elisabete (Isabel): 1,23-25.39-45.57.58 (A mãe que é agraciada por Deus).
· Maria: a virgem cheia de graça. Mãe e virgem.
· Viúvas: - Ana, a profetisa 2,36-38.
- A viúva de Sarepta 4,25s; Cf. 1Rs 17,7-14 (A idéia de Jesus profeta está subjacente aqui em Lc 4)
- A viúva da parábola que pede justiça ao juiz (18,1-8);
- A viúva de Naim 7,11-17;
- A viúva generosa 21,1-4; Cf. Mc 12,41-44.
- As viúvas cujos bens são devorados pelos fariseus 20,47
· A pecadora infame 7,36-50
· Mulheres missionárias: 8,1-3; 23,27-31
· Dois tipos de vida: Marta e Maria 10,38-42

4) Brandura e Delicadeza
Evitando tudo o que possa ser brutal e violento. Exemplo: Martírio de São João Batista: Mc 6,17.29-30; Mt 14,3-12; Lc 13,19-20. A Sorte de Judas: Mt 26,24; Mc 14,21; Lc 20,21-23. O texto não diz definitivamente que fora condenado. À rigor o pronome "ekeinós" se referia ao mais próximo e aqui no caso é o filho do homem e não Judas. Mas pode também ser Judas num grego mais pobre. Flagelação e Coroação de Espinhos: Mc 15,15-20; Lc 23,23-24. Mc é minucioso, Lc tira toda minúcia. Escarros em Jesus: Mt 26,67; Mc 14,65; Lc 22,63-64.

Tenta também abrandar certas situações: Lc 22,45; 24,41.

Em Mt 19,12 temos os Eunucos, Lc 16,18 omite-os.

5. Traços teológicos - Mensagem Teológica de Lc.

1) Lc: O Evangelho do novo Elias
Mostra relações entre Jesus e Elias:

A falta dos profetas depois da reconstrução do templo dava a idéia que Deus se afastara, a vinda do profeta é tida como uma nova era. No século II aC. se tem grande valorização do profetismo ( 1Mac 4,46; 14,41). João Batista é o continuador da missão de Elias Jo 1,21; Lc 1,16-17. O Evangelho começa o desabrochamento das profecias: Lc 1,41-45; 46-55; 67-79; 2,2-30.38. Jesus é tido como o profeta por excelência Lc 4,24; 7,16; 7,39; 9,8; 13,33; 24,19. Jesus é mais que um profeta:

 

 

 


Na transfiguração os dois estão com Jesus, Jesus é o ponto de chegada tanto das leis quanto dos profetas.
Mt 17,1-13; Mc 9,2-13; Lc


O título de profeta do AT é de muito valor, é um amigo de Deus ao qual Deus não deixa de revelar seus planos (Am 3,7) é o confidente de Deus; assim, Jesus é aquele que conhece o segredo do Pai e o revela aos homens.

2) Lc: O Evangelho da Salvação Universal e da Misericórdia.

A genealogia de Jesus Lc 3,23-28 parte de Jesus e sobe até todos os filhos de Adão, irmão de todos.

Deus
Todos os homens
Todos os homens
Adão
Jesus


Em Mt a genealogia diz que é filho só até Abraão, assim a Salvação é só os para os hebreus, o que salva a universalidade é o nome de pessoaspecadoras, estrangeiros, etc.

A universalidade da Salvação vai de Jesus, até Adão, até Deus.

Lc 2,1.10-11: A Salvação é para todo o mundo. Temos também a parábola dos convidados Lc 14,16-24: a universalidade da salvação também está aqui. Lc 24,46s o Evangelho termina com essa ordem de precisar o Evangelho a todas as nações a começar por Jerusalém.

Em Lc 15,4-7; 8-10; 11-32

A parábola da dracma perdida, do Filho Pródigo.

A tônica da parábola está no v. 32 e v. 24. Esta parábola é considerada do filho com o pai e do irmão com irmão. A primeira parte é contrastada com a segunda. O irmão é a atitude do homem que quer ser justo, é atitude farisaica.

A parábola da dracma e da ovelha é interessante notar a solidariedade do mundo póstumo com o mundo visível (Céu e terra).

Cinco grandes perdões do evangelho de Lc :

O caso da figueira amaldiçoada em Mt, Mc

Figueira
Mc 11,12-14.20-25; Mt 21,18-22 --> amaldiçoada
Lc 13, 6-9 --> Agraciada

Em Lc não aparece a amaldiçoada, só a agraciada, pois não está na idéia do Evangelho.

3) Lc = O Evangelho da visão sapiencial

É a visão inspirada pela sabedoria. É a luz do definitivo, não fica no provisório.

Já no Antigo Testamento. Sb 2-5

Para se interpretar uma parábola se deve buscar o fio condutor. Em Lc 16, 1-9 temos a fraudulência. O administrador safado começa a olhar para o futuro faz uma fraudulência sábia, sensata. Negocia com o que tem. Esse é o exemplo do filho das trevas, que são mais espertos que os filhos da luz. Estes últimos são honestos não usa o dinheiro do patrão, mas usam saúde, honestidade, etc para ganhar amigos.

5) Lucas = O Evangelho da oração e do Espírito Santo

Na própria vida de Jesus Lc apresenta Jesus orando Lc 3,21; 5,16; 6,12; 9,18; 9,28-29; 11,1-2; 22,32; 23,34; 22,42

É de oração de outros personagens Lc 1,46-55; 1,68-79; 2,14; 2,29-32.
Jesus deixa-nos um ensinamento teórico, mas grande:

Lc 11,1-13: Jesus ora o Pai-Nosso. E conta duas parábolas: A do amigo importuno e a do menino que pede a sua merenda.

Antes vejamos a diferença do Pai-Nosso entre Lc e Mt:

Lc Mt 6, 9-13

Dirige-se - Santificado Pai-Nosso
--> Deus venha o reino
Seja feita vossa vontade


Dirige-se Pão de cada dia
--> nos Perdoa...
Não... em tentação Livra-nos do mal.


Há dois acréscimos em Mt. O recurso é pelo método da história das formas. A crítica dos textos tem como preferencial as mais curtas.

Crê-se que cada uma parte do Pai-Nosso recebeu um acréscimo parafraseando a petição anterior.

O Pai-Nosso tem duas partes uma dirige-se a Deus e outra a nós. Por duas vezes há acréscimos vide o que sublinhei em Mt.

Voltemos às parábolas:

Na primeira: Deus não dorme, não fica cansado, pode atender a todos que lhe pedem insistentementemente com perseverança. Deus saberá dar o pão àquele que lhe pedir.

Na segunda: O Pai do garoto é pecador e sabe dar coisas boas ao filho. O Pai Santo dará o Espírito Santo que é dádiva por excelência.

Outras duas parábolas Lc 18,1-8 e 18,9-14: a primeira tem semelhança com a do amigo importuno. Lc 18,1 é uma resposta a 17,22: é preciso orar sempre.

A interpretação da 1ª: é sinal da Igreja. O sujeito orante é a coletividade orante diurna e noturna.

Em 18,8 aparece uma adversativa que significa: para que haja oração é preciso ter fé, se houver oração há resposta de Deus.

Em 18,9-14 Deus ouve a oração. (Rm 8,26-28).

6. Lc 1-2 O Evangelho da infância de Jesus.

Esquema que propõe a arrumação desses dois capítulos

I Díptico das anunciações
(1,5-56)

II Díptico dos nascimentos
(1,57 - 2,52)
1- Anunciação de João Batista (1,5-25)
4- Nascimento de João Batista(1,57-58)

2- Anunciação de Jesus
(1,26-38)
5- Circuncisão e manifestação de JoãoBatista (1, 59-80)

 

6- Nascimento de Jesus
3- Episódio Complementar(1,39-56)
Visitação
7- Circuncisão e 1ª manifestação de Jesus (2,21-40)
8- Episódio complementar (2,41-52)
Encontro no templo (12 anos).


Pertence ao gênero midráxico: História narrada para entender o sentido religioso. O evangelista faz questão de mostrar que as profecias dizem respeito à infância.

Duas profecias fazem a trama do relato:

Lc 1-2 parece fazer eco a essas duas profecias, verifiquemos:

Lc 1,26 - 180 dias (6 meses)
2,7 - 270 dias (9 meses)
2,22 - 40 dias
490 dias

Ao fim dos 490 dias o Senhor é apresentado ao templo para trazer a aliança, sendo ele a oferenda perfeita.

Dn 9 combinado com Ml 3 anunciam a inauguração dos tempos messiânicos (escatológicos). Acompanhado do juízo de Deus, num ambiente de templo e culto sagrado. Lc quis dar por estrutura ao Evangelho da infância nesses dois textos.

Aqui se sintetiza toda mensagem messiânica do AT. Cumpre-se as promessas feitas aos patriarcas. Lc 2,34-35 o menino é linha divisória que é soerguimento para uns e queda para outros. Ml 3, 5

Lc 2, 22-24 à Ml 3,3-4; Lc 2,25-30.38

Todavia o Evangelho de Lc não deixa de ser histórico. Lc 1,1-4. além disso se refere muito a Maria e está dito duas vezes que Maria ouvia as coisas e as meditava no coração. Ela fazia a ligação da história presente com a dos profetas Lc 2,19-51, isto é, ela conferia com o Antigo Testamento.

Além disso temos como elemento histórico Lc 1,58-66 as testemunhas guardavam os acontecimentos

Comparação entre os Evangelhos da infância entre Mt e Lc.
Em Mateus é centrada em José; em Lucas é em Maria.
Pontos comuns a Mt 1-2 e Lc 1-2

1) Conceição e Nascimento de Jesus a partir de uma jovem chamada Maria. Lc 1,36-38 e Mt 1,18-20.
2) Maria era noiva de um homem chamado José Lc 1,27.
3) José era da estirpe de Davi Lc 1,27; 2,4
4) José não é o Pai de Jesus, concebido do Espírito Santo Lc 1,30-35; Mt 1,18-25
5) O Nascimento de Jesus ocorreu nos dias de Herodes: Mt 2,1; Lc 1,5.
6) O nome Jesus foi de antemão indicado pelo anjo Lc 1,31 (a Maria) e em Mt 1,21 (a José).
7) Jesus é filho de Davi: Lc 1,32; Mt 1,1.
8) Jesus nasce em Belém da Judéia (Mt 2,5-6), na cidade de Davi (Lc 2,11).
É dito Nazareno porque ao voltar do Egito vai morar em Nazaré.
9) A Sagrada Família voltou a Nazaré: Lc 2,39 e Mt 2,23

São flashs avulsos. A substância da infância está aqui.
O centro do Evangelho da infância em Lc é a anunciação.

O anjo saúda Maria com "Chaire" (caire) = Alegra-te, rejubila-te. Assim como essa saudação é que os profetas se dirigiam a filha de Sião. Sf 3,14-15 é o esboço da saudação a Maria. Jl 2,21-23: o "não temas" vem daqui.

O nome da virgem não é indicado. Vem o verbo "xecharitoméne" (kecharitomenh) é um particípio perfeito, que significa "que foi e está preenchida de graça", não é "agraciada", mas Cheia de Graça.

Como nas demais aparições Maria se perturba. "O Senhor está contigo" significa que ele faz aliança com ela, vide: Ele está com os juízes: Jz 2,18; com Josué: Is 1,5; com Moisés: Ex 3,12 etc. Estar com Deus é a síntese do paraíso. Inclusive ao ladrão Cristo diz que estará com ele.

A Maria convém o que convinha a Josué, a Moisés, aos Juízes, ela faz as vezes da filha de Sião. Assim ela se liga aos patriarcas, aos profetas e aos Reis.

Ao dizer que ela conceberia e daria a luz a um filho faz eco a Is 7,14. O seu filho será ungido como o Rei Davi. São Pedro diz que Cristo foi ungido com o Espírito Santo (At 10,38; Is 61,1). O seu nome é também o filho do Altíssimo e descendente de Davi (2Sm 7,12; 1Cr 22,9-10; Sl 89,36-38; Is 9,6; Mq 4,7).

Maria pergunta como se dará isto? Lc 1,34-35 repare aqui a Trindade: Espírito Santo, Altíssimo e Filho de Deus.
O v. 37 explica que para Deus = tudo é possível.

Maria ao ir visitar Israel é chamada indiretamente Mãe de Deus: Lc 1,43. Isabel diz a Mãe do meu Senhor: "Mater Kiryou" = "Ihaweh" = "Theotókos"
Em 2,11 = "Soter" (Soter) é a única vez em todo NT que Jesus é chamado Salvador. Todo o AT diz que Javé salva o seu povo, o próprio nome de Jesus mostra isso "Ieshua" = "Deus Salvador".

No Evangelho da infância Maria recebe títulos que mais ninguém recebe no NT: Cheia de Graça.
Quanto a Jesus ele é dito: Salvador, Rei, Luz das Nações.

(Anotações de aula feitas por Pe. Edson Assunção
durante seu curso de Teologia no Mosteiro de São Bento – Rio de Janeiro)

 

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